Caro(a) Leitor(a):
Em face do desenvolvimento da Ciência, facilmente se comprova o início da vida
humana desde o momento da concepção no ventre materno, e não somente quando ocorre o nascimento, como afirmam muitos.
Constitui-se em grave comprometimento com as leis divinas a provocação do aborto em qualquer fase da gravidez, uma vez
que tal iniciativa impede que o Espírito, já ligado ao embrião, renasça no corpo
físico que lhe servirá como instrumento de progresso.
Há crime sempre que transgredis a lei de Deus. Uma mãe, ou quem quer que seja, cometerá crime sempre que tirar a vida a uma criança antes do seu nascimento, por isso que impede uma alma de passar pelas provas a que serviria de instrumento o corpo que se estava formando. (Questão 358 do Livro dos Espíritos)
É uma existência nulificada e que ele terá de recomeçar. (Questão 357 do Livro dos Espíritos)
Preferível é se sacrifique o ser que ainda não existe a sacrificar-se o que já existe. (Questão 359 do Livro dos Espíritos)
De todos os institutos sociais existentes na Terra, a família é o mais importante,
do ponto de vista dos alicerces morais que regem a vida.
É pela conjunção sexual entre o homem e a mulher que a Humanidade se
perpetua no Planeta; em virtude disso, entre pais e filhos residem os mecanismos da
sobrevivência humana, quanto à forma física, na face do orbe.
Fácil entender que é assim justamente que nós, os espíritos eternos, atendendo aos
impositivos do progresso, nos revezamos na arena do mundo, ora envergando a posição
de pais, ora desempenhando o papel de filhos, aprendendo, gradativamente, na
carteira do corpo carnal, as lições profundas do amor que nos soerguerá, um
dia, em definitivo, da Terra para os Céus.
Com semelhantes notas, objetivamos tão-só destacar a expressão calamitosa do aborto criminoso, praticado exclusivamente
pela fuga ao dever.
Habitualmente sempre somos nós mesmos quem planifica a formação da família,
antes do renascimento terrestre, com o amparo e a supervisão de instrutores beneméritos,
à maneira da casa que levantamos no mundo, com o apoio de arquitetos e técnicos distintos.
Comumente chamamos a nós antigos companheiros de aventuras infelizes, programando-lhes
a volta em nosso convívio, a prometer-lhes a esperança de elevação e
resgate, burilamento e melhoria.
Criamos projetos, aventamos sugestões, articulamos providências e externamos votos
respeitáveis, englobando-nos com eles em salutares compromissos que, se observados,
redundarão em bênçãos substanciais para todo o grupo de corações a que se nos vincula
a existência.
Se, porém, quando instalados na Terra, anestesiamos a consciência, expulsando-os
de nossa companhia, a pretexto de resguardar o próprio conforto, não lhes
podemos prever as reações negativas e, então, muitos dos associados de nossos erros
de outras épocas, ontem convertidos, no Plano Espiritual, em amigos potenciais, à
custa das nossas promessas de compreensão e de auxílio, fazem-se hoje e isso ocorre
bastas vezes, em todas as comunidades da Terra inimigos recalcados que se nos
entranham à vida íntima com tal expressão de desencanto e azedume que, a rigor, nos
infundem mais sofrimento e aflição que se estivessem conosco em plena experiência
física, na condição de filhos-problemas, impondo-nos trabalho e inquietação.
Admitimos seja suficiente breve meditação, em torno do aborto delituoso, para
reconhecermos nele um dos grandes fornecedores das moléstias de etiologia
obscura e das obsessões catalogáveis na patologia da mente, ocupando vastos
departamentos de hospitais e prisões. -
(EMMANUEL - Vida e Sexo, psicografia de Francisco C. Xavier,
cap. 17, 24. ed. FEB.)
Comovemo-nos, habitualmente, diante das grandes tragédias que agitam a opinião.
Homicídios que convulsionam a imprensa e mobilizam largas equipes
policiais...
Furtos espetaculares que inspiram vastas medidas de vigilância...
Assassínios, conflitos, ludíbrios e assaltos de todo jaez criam a guerra de nervos,
em toda parte; e, para coibir semelhantes fecundações de ignorância e delinqüência,
erguem-se cárceres e fundem-se algemas, organiza-se o trabalho forçado e em algumas
nações a própria lapidação de infelizes é praticada na rua, sem qualquer laivo de
compaixão.
Todavia, um crime existe mais doloroso, pela volúpia de crueldade com que é praticado,
no silêncio do santuário doméstico ou no regaço da Natureza...
Crime estarrecedor, porque a vítima não tem voz para suplicar piedade e nem
braços robustos com que se confie aos movimentos da reação.
Referimo-nos ao aborto delituoso, em que pais inconscientes determinam a morte
dos próprios filhos, asfixiando-lhes a existência, antes que possam sorrir para a
bênção da luz.
Homens da Terra, e sobretudo vós, corações maternos chamados à exaltação do
amor e da vida, abstende-vos de semelhante ação que vos desequilibra a alma e entenebrece o caminho!
Fugi do satânico propósito de sufocar os rebentos do próprio seio, porque os anjos
tenros que rechaçais são mensageiros da Providência, assomantes no lar em vosso
próprio socorro, e, se não há legislação humana que vos assinale a torpitude do
infanticídio, nos recintos familiares ou na sombra da noite, os olhos divinos de Nosso
Pai vos contemplam do Céu, chamando-vos, em silêncio, às provas do reajuste, a fim de
que se vos expurgue da consciência a falta
indesculpável que perpetrastes. - (EMMANUEL - Religião dos Espíritos, psicografia de Francisco C.
Xavier, p. 17-18, 17. ed. FEB.)
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